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Saboreando literatura

 

Essa crônica nada mais é que um apelo. Um grito pela literatura. Um grito por romances e aventuras. Não entendo essa gente. Essa gente que se diz sábia, que se diz intelectual ou sei lá o que. Essa gente que anda por aí com seus diplomas estampados na testa achando que isso basta. Mas quero falar sobre meus colegas de faculdade. Eu não entendo mesmo essa gente. Antes que torçam o nariz e me repreendam, não estou generalizando. Mas é que essa gente anda muito despojada. A faculdade não limita você a ler apenas os textos oferecidos pelos professores do curso. Cultura não é só ler aquele trechinho de Hobbes e aquele outro de Kant. Seria, se você lesse para a vida e não para responder algumas questões na data da prova e amanhã nem sequer lembrar-se da existência deles. Fico chateada quando falo em Machado de Assis e ninguém me da atenção. Fico mais chateada ainda quando falo com emoção sobre os livros de Érico Veríssimo: Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho. Sem contar os poemas do saudoso Castro Alves sem que ninguém me dê ouvidos. Certo dia cheguei à faculdade, e ao invés de dizer o “Bom dia” de sempre, entrei na sala como entrava meu professor de literatura. O inesquecível Valdir. Passei pela porta, ergui os braços e olhei para meus colegas de turma dizendo: “Cheguei, chegastes. Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada e a alma de sonhos povoada eu tinha... Parei. Meus colegas permaneciam imóveis. Alguns acharam simplesmente engraçado, outros estavam com aquela expressão de que nunca tinha ouvido ou visto algo parecido. Enfim, BOM DIA. Sentei-me e saboreei minha indignação sozinha. Queria ter pelo menos terminado o poema de Olavo Bilac. Mas é isso. Estou cansada de aproveitar a literatura sozinha. Queria poder discorrer sobre tudo isso com alguém, mas confesso que não está fácil encontrar esse alguém. Acredito que aquele que se forma apenas lendo os textos disponibilizados por seus professores acaba fechado de mais. Conteúdo não é apenas aquilo dado em sala de aula. Conteúdo é leitura. E não qualquer leitura. Triste daquele que não conhece a literatura brasileira. Que nunca se quer tocou em um livro de Aluízio Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, Simões Lopes Neto, José de Alencar. Ah, José de Alencar. Iracema, virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que o talhe da palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Ah, Iracema, quanta saudade. Ta aí colegas, Jose de Alencar foi formado em direito. Sabiam? Lima Barreto e o Triste fim de Policarpo Quaresma, Os sertões de Euclides da Cunha. Ah, sinto falta desses livros, desses romances, aventuras. Vocês, caros “sábios” já leram algum dia Manuel Bandeira? Não sei vocês, mas eu sinto uma alegria imensa ao ler: “Irene preta, Irene boa. Irene sempre de bom humor...”. Tem algo mais mágico que poesia? Tem algo mais arrebatador que um bom romance? Literatura meus caros, literatura. Balzac e a Prima Bette, Franz Kafka e o processo, Miguel de Cervantes e Dom Quixote. Ah, as filhas do falecido coronel de Katherine Mansfield... Diga lá caro leitor, isso não te fascina? Eu realmente não entendo essa gente que não sente prazer ao ler. Que não vive cada pagina de um livro. A vida não se resume naquilo que a faculdade ensina. A vida é literatura. E vocês colegas, que tanto acham “chistoso” esse meu jeito literário de levar a vida, um dia, vão sentir falta dessa magia. Falo de Liev Tolstoi, Sófocles, Stendhal. Falo de Brás, Bexiga e Barra funda, Clara dos Anjos, Espumas Flutuantes, Macunaíma. A Lira dos vinte anos “Mas essa dor da vida que devora, a ânsia de glória, o dolorido afã...”. Ora essa caros leitores, impossível não se sentir deslumbrado com tanta riqueza e tanto conhecimento que os livros nos oferecem. Ah, quase esqueci de um dos meus preferidos. Gonçalves Dias. Já leram ou ouviram alguém recitar a canção do exílio? Se a resposta for negativa, podem me chamar. Recitarei com alacridade: “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá...”.
Como disse, essa crônica é um apelo. Um apelo ao não esquecimento da beleza e do enorme conhecimento que existe na literatura. Espero de coração caros leitores, que pelo menos um de vocês tenha terminado de ler essa crônica e sentido saudades das aulas de literatura e mais, que ao terminar tenha sentido vontade de ler ou reler alguma dessas obras primas.
2009/04/19 enviada por Rafaela Debiasi Guesser

Autoria de Rafaela Debiasi Guesser
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